sábado, 2 de maio de 2015

BÃO DE QUEBRA / CINZA DOS OSSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

CINZA DOS OSSOS
*
Bão de Quebra

Meu pai foi catireiro;
Dos bão de quebra.
Dava a tarde, montava
O alazão coberto de tralhas
E partia.
Levava revórve, garrucha,
Pomada chinesa, relóge
De gringo, jóia de cigano,
Perfume francês, e às vezes,
O Chico, seu galo de rinha,
Ia de quebra.
Lá pelas tantas, voltava
Tonto, cercando poico
Na madrugada escura.
Diz que vendia inté a mãe,
Só não entregava.

*

Nenhum comentário:

Postar um comentário