terça-feira, 14 de abril de 2015

CÃO SEM DONO / CINZA DOS OSSOS * Antonio Cabral Filho - Rj

CINZA DOS OSSOS
*
Cão Sem Dono


Hoje,
        Eu não consigo ler poesia
        E suspiro exausto com o livro
        De qualquer poeta.
Hoje,
        Eu não alugo a minha cabeça
        Para aturar o porre de ninguém
        E me fecho como aranha
        Que prepara o bote
        Pra pegar a mosca
        Desatenta que a rodeia.
Hoje,
        Eu não consigo ficar parado
        Olhando a paisagem
        Entumecida de contradições
        À espera de mudanças no cenário.
Hoje,
         Eu não vou esperar que as pedras
         Rolem pelo caminho em busca do limo
         Até encontrarem-se ao sabor do acaso,
         Se acaso existe...
Hoje,
         Eu tenho que sair danado
         Sem bagagem e despedida
         Como um cão sem dono
         E farejar o mundo
         Atrás de um osso pra roer.

*

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